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Queima ‘12… para quem já devia ser universitário e ainda o não é

Passados não sei quantos meses chega a Queima das Fitas de 2012 em Coimbra. A semana que todos os estudantes universitários e não universitáros tanto esperam, quer seja para festejarem a sua primeira(ou última) queima e trajar pela primeira(ou última vez), quer seja apenas para apanhar uma valente bebedeira ou moca até cair para o lado. Vêem-se pessoas que foram nossos colegas a divertiem-se já trajados e a tirar o curso que sempre queriam…ou não.
O espírito académico está no ar e uma pessoa quase que não consegue fugir dele. Acaba por ser sufocante para quem não entrou na universidade…
Acabo o secundário e vejo que a minha média não chegava para o que queria(…e, também, verdade seja dita, tive alguns problemas com a infame disciplina de Matemática A…). Este país decidiu condicionar a nossa entrada na universidade, limitando-nos ás nossas médias do secundário e aos exames nacionais.
Ah, exames nacionais…que nem eu nem muita gente considera fáceis, portanto não sei porque raio diz o ministro de educação que são fáceis - e só de dizer isso e dos nossos professores nos avisarem de que os exames nacionais este ano provavelmente vão ser mais lixados ainda, mesmo tendo em conta o facto de no ano passado os resultados dos exames nacionais terem sido fracos, de um modo geral - acho que a palavra “facilitismo” para aqui não é chamada e acho que alguém devia ter metido um carvão em brasa na língua do ministro quando disse isso. Sim. Vocês ouviram. Acho que o ministro da educação foi um idiota de primeira ao dizer isso(e idiota apenas a favor…). Mandem-me ameaças à vontade por ter chamado idiota ao querido sr. ministro(que eu saiba, também tenho direito a exprimir a minha opinião).
Juro que não compreendo como é que as pessoas andam quase a venerar o ministro da educação quando ele não alterou aquilo que está realmente mal(mas isto é apenas na minha opinião…): o facto de os alunos do curso de Ciências e Tecnologias não só serem obrigados a fazer exame nacional a Biologia e Geologia, Físico-Química A e Matemática A como também a Português!! Só para não dizer que agora pelos vistos, também somos sujeitos a exame nacional de Filosofia.
Biologia e Geologia e Matemática A até se entende, agora Português e Filosofia?? Que merda é esta? Para que é que um aluno de Ciências precisa de fazer exame nacional a Português e a Filosofia que só nos dá trabaho extra e desnecessário porque se formos a ver Português é uma disciplina praticamente inútil para alunos na área científica. Mas isso aí o Sr. Nuno Crato não muda. Talvez porque se excluísse o exame de Português para quem não precisa, isso só ajudaria ao facilitismo…Português para nós(alunos de Ciências) apenas serve para abranger o nosso domínio de cultura geral, desenvolver a nossa capacidade de interpretação de textos(talvez a única e verdadeira utilidade desta disciplina) e pôr o sono em dia(o que para mim, não resulta tanto se estiver a apanhar uma seca, porque estou na fila de frente e mesmo á frente da secretária da professora). Tirem essa disciplina dos exames nacionais obrigatórios para alunos de Ciência e Tecnologias, carago!
‘Bora dificultar ainda mais os exames obrigando todos a ir à primeira fase e com exames todos uns em cima dos outros e ás duas da tarde. Sim, porque quem fizer Matemática A, Biologia e Geologia, Português e Físico-Química A(que é o meu caso), vai ter os três primeiros todos amontoados uns em cima dos outros, com um espaço de 24 horas entre cada um.
Também não muda o facto de que os exames de ingresso para certos cursos, nomeadamente, nas áreas da saúde, sejam Físico-Química A - em vez de só Física ou só Química de 12º - e Biologia e Geologia - em vez de só Biologia ou só Geologia de 12º. Digam-me para que raio precisa um médico de saber como se formam calhaus, planetas, placas tectnónicas, plantas para ser médico? O que eu aprendi em Biologia do 12º dá bases muito mais úteis para eu seguir a área da saúde. E o mesmo para Química do 12º(algumas partes, claro). O facto de termos de fazer exames de Biologia e Geologia

Most of my sweet memories were buried in the sand
The fire and the pain will now be coming to an end
How did you get to save me from this desolate wasteland
In your eyes I see the dawn of brighter days again.
– Woodkid - Wasteland  (via sarahaubel)

“O filho-da-puta é sempre aquilo que os outros filhos-da-puta do momento e do lugar são; é, porque é isso que “convém” ser, e portanto é isso que ele é. O filho-da-puta insere-se sempre no processo em curso qualquer que ele seja, e esse é mais um traço distintivo do filho-da-puta.

O filho-da-puta colabora, e está sempre no vento, sempre na maré, sempre na onda. O filho-da-puta é sempre no mais alto grau possível aquilo que “convém” ser no lugar e no momento em que vive.

O grande problema, a grande desorientação, a infelicidade suma do filho-da-puta ocorre naqueles momentos de transição, de incerteza quanto ao rumo dos acontecimentos, naqueles momentos em que a balança está parada por instantes e não se sabe qual o prato de maior peso; é nesses momentos que o filho-da-puta se torce e contorce, na busca desesperada de “parâmetros”, dos seus queridos parâmetros, ou simplesmente de uma via, de um rumo, da sua via, do seu rumo de filho-da-puta.

É nessas ocasiões sobretudo que ele, o filho-da-puta, se queixa, que aparece em todos os lugares dizendo “isto está mau”, e não adiantando mais nada. Sim, para o filho-da-puta nada pior que não saber qual é a preocupação dos outros, não saber enfim o que os outros pensam, o que os outros acham, o que os outros sabem. É por isso que organiza testes, toda a espécie de testes, e programas, toda a espécie de programas, e sondagens, toda a espécie de sondagens, e inquéritos, reuniões de grupo, reciclagens, estágios, exames, modos de através de um ritual de perguntas e respostas tentar apurar dos outros o que os outros normalmente tentam também apurar dele: o que pensam, o que acham, o que sabem da vida uns dos outros.

Mas quanto mais normalizadas são as perguntas e as respostas, maior é também a sensação que o filho-da-puta experimenta de nada saber. É por isso que cada vez mais promove órgãos de orientação geral, instrumentos para levar a pensar ou a não pensar, a fazer ou a não fazer, a falar ou a não falar, sempre segundo os mesmos critérios nas mesmas circunstâncias.

Serviços técnicos, gabinetes de coordenação, institutos de apoio, centros de divulgação e de documentação, departamentos de planeamento, sectores de estatística, gabinetes de gestão, comissões do ambiente, núcleos de inspecção, canais logísticos, serviços de reconhecimento, postos de fomento, institutos de reorganização, delegações de investigação, grupos de trabalho permanente, “workshops”, centros de observação, serviços coordenadores de estudos, registos centrais, divisões de fiscalização e comissões de apoio às iniciativas centrais.

Por sua vez, estes órgãos são apoiados por outros de mais largo alcance; se, para esse efeito, em certos lugares e épocas utiliza a sua psiquiatria, noutros utiliza a sua inquisição, e noutros serve-se da sua televisão e demais órgãos de qualidade de vida; pode servir-se do seu jornal ou da sua falta de jornal, do seu partido único ou da sua pluralidade de partidos, pode servir-se de prémios ou de castigos, de gratificações ou de transferências. Isso mesmo. Não há nada que o filho-da-puta não faça e não há nada que não sirva os seus desígnios.”

– (Alberto Pimenta, 1977 - Discurso sobre o filho-da-puta (Lisboa: Teorema)
…no existence can be validly fulfilled if it is limited to itself. – Simone de Beauvoir, The Ethics of Ambiguity (via nminusone)

cranquis:

If you are older than 12, and you show up with a marble in your nose, prepare to receive a bit of mocking from your doctor. Just sayin’.

(Today’s winner: 17 years old — “I was just pretending to stick it in there, and…”)



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